SONORA

 


SONORA

A Sonora foi uma das empresas mais importantes da história da fotografia na Amazônia e um dos maiores símbolos da fase de industrialização da Zona Franca de Manaus. Durante as décadas de 1970 e 1980, ela revolucionou o mercado fotográfico da Região Norte ao fabricar equipamentos, processar filmes coloridos e oferecer serviços que, até então, dependiam de laboratórios localizados no Sul e Sudeste do Brasil.
A chegada a Manaus
A Sonora instalou suas operações em Manaus no início da década de 1970, aproveitando os incentivos da Zona Franca. Antes dela, quem fotografava em Manaus precisava enviar os filmes para revelação em laboratórios de outras regiões do país, aguardando dias ou até semanas para receber as fotografias prontas. A implantação do moderno laboratório da Sonora mudou completamente essa realidade.
Um dos maiores laboratórios fotográficos do Norte
A empresa montou um laboratório colorido considerado um dos mais modernos do Brasil na época. Poucos anos depois de iniciar as atividades, já atendia não apenas Manaus, mas também Belém e praticamente toda a Região Norte.
Sua estrutura realizava:
  • revelação de filmes coloridos;
  • ampliação de fotografias;
  • produção de papel fotográfico;
  • processamento industrial de imagens;
  • fabricação de produtos para fotografia.
A fábrica
No Distrito Industrial, a Sonora produzia diversos materiais fotográficos, incluindo chapas, filmes, papéis fotográficos e outros produtos químicos utilizados na fotografia. Os registros empresariais mostram que sua atividade principal era justamente a fabricação desses materiais especializados.



A máquina fotográfica "LOVE"
Um dos lançamentos mais curiosos da empresa aconteceu em 1981.
A Sonora apresentou a câmera fotográfica chamada "LOVE", considerada a primeira máquina fotográfica descartável produzida para o mercado brasileiro e divulgada como pioneira no mundo.
Ela pesava apenas 57 gramas, já vinha carregada com filme colorido de 20 poses e possuía flash integrado.
Depois que todas as fotografias eram tiradas, o usuário enviava a câmera inteira para a Sonora. A empresa desmontava o equipamento, retirava o filme para revelação e descartava o restante da câmera. Esse conceito seria adotado anos depois por grandes fabricantes internacionais.
Produção de câmeras
Além da LOVE, a Sonora também fabricava em Manaus câmeras fotográficas da marca japonesa Mamiya, ampliando a importância do Polo Industrial de Manaus no setor fotográfico nacional.
A loja Sonora no Centro
Além da fábrica, a empresa possuía uma conhecida loja no Centro de Manaus, onde eram vendidos equipamentos, filmes, acessórios e serviços de revelação.
Em fotografias históricas da Avenida Eduardo Ribeiro, a loja Sonora aparece ao lado da famosa Icofilm, formando um dos principais polos do comércio fotográfico da cidade durante os anos 1970.
Um dos nomes mais importantes ligados à Sonora foi o fotógrafo e laboratorista Carlos Alberto Navarro Infante .
Contratado em Barcelona em 1972, ele chegou a Manaus em 1973 para instalar e operar o laboratório colorido da empresa. Navarro permaneceu na cidade, tornou-se um dos fotógrafos mais importantes do Amazonas e ajudou a formar gerações de profissionais da fotografia.
O auge
Durante seu período de maior sucesso, a Sonora foi referência nacional em:
  • processamento de fotografias coloridas;
  • tecnologia laboratorial;
  • fabricação de materiais fotográficos;
  • treinamento de técnicos especializados;
  • atendimento ao mercado da Amazônia.
Seu crescimento acompanhou o auge da fotografia analógica, quando praticamente todas as imagens eram registradas em filmes fotográficos.
O declínio
A partir do final dos anos 1980 e, principalmente, durante a década de 1990, o mercado começou a mudar.
O avanço de novos laboratórios, a concorrência internacional e, posteriormente, a chegada da fotografia digital reduziram drasticamente a demanda pelos filmes fotográficos e pelos serviços tradicionais de revelação.
Assim como ocorreu com diversas empresas do setor em todo o mundo, a Sonora entrou em declínio e encerrou suas atividades.
A importância para Manaus
A Sonora ocupa um lugar de destaque na história industrial e tecnológica de Manaus porque:
  • foi pioneira na industrialização do setor fotográfico na Amazônia;
  • eliminou a necessidade de enviar filmes para outros estados;
  • ajudou a transformar Manaus em referência regional em processamento fotográfico;
  • fabricou equipamentos e materiais fotográficos na Zona Franca;
  • lançou produtos inovadores, como a câmera descartável LOVE;
  • contribuiu para a formação de fotógrafos e laboratoristas que marcaram a história da fotografia amazonense.


FONTE DE PESQUISA

Udesc - Revistas Cientificas da UFPA - PPGLA - Blog do Durango


IMAGEM

Udesc - Revistas Cientificas da UFPA - PPGLA - Blog do Durango



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