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As Cheias e as Secas no Amazonas

 


As Cheias e as Secas no Amazonas

Entendendo por que os rios sobem tanto e depois ficam tão baixos


O Amazonas possui a maior rede de rios do planeta. Eles fazem parte da Bacia Amazônica, considerada a maior bacia hidrográfica da Terra, com aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados. Essa enorme área se estende por nove países da América do Sul, sendo que cerca de 60% dela está localizada no Brasil.

Todos os anos, os rios amazônicos passam por um ciclo natural de subida e descida das águas. Esse fenômeno acontece há milhares de anos e é fundamental para a vida na floresta, influenciando os animais, as plantas e as populações que vivem às margens dos rios.

Nos últimos anos, porém, cientistas observaram que esse ciclo está se tornando cada vez mais intenso. As cheias atingem níveis históricos e as secas também se tornam mais severas, provocando impactos econômicos, sociais e ambientais.

O que é uma cheia?

A cheia é o período em que os rios aumentam de volume devido às chuvas que caem em toda a Bacia Amazônica.

Muitas pessoas imaginam que um rio sobe apenas porque chove na cidade onde ele passa. Na Amazônia isso não acontece dessa forma.

O Rio Amazonas e seus afluentes recebem água de uma área gigantesca que inclui Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Assim, mesmo que em Manaus esteja fazendo sol durante vários dias, os rios podem continuar subindo porque está chovendo intensamente em outras regiões da bacia.

Toda essa água leva dias, semanas ou até meses para chegar ao Amazonas.

Como acontece a cheia?

Durante o período chuvoso, normalmente entre dezembro e maio, milhões de litros de água caem diariamente sobre a floresta.

Essa água segue um caminho natural:

  • infiltra-se no solo;
  • escorre pelas encostas;
  • alimenta pequenos igarapés;
  • chega aos rios menores;
  • depois alcança os grandes rios, como o Solimões, Negro, Madeira, Purus e Japurá;
  • finalmente, toda essa água se reúne no Rio Amazonas.

Como o volume recebido é gigantesco, os rios transbordam e inundam grandes áreas da floresta, formando as chamadas várzeas.

Essas áreas alagadas são extremamente importantes para o equilíbrio da natureza.

Por que as cheias são importantes?

Embora causem dificuldades para algumas comunidades, as cheias fazem parte do funcionamento natural da Amazônia.

Elas ajudam a:

  • fertilizar os solos;
  • transportar nutrientes;
  • espalhar sementes;
  • alimentar diversas espécies de peixes;
  • renovar lagos e igarapés;
  • garantir alimento para aves, mamíferos e répteis.

Muitas espécies de peixes aproveitam as florestas alagadas para se reproduzir.

Durante esse período, os peixes encontram grande quantidade de frutos, sementes e insetos, o que favorece seu crescimento.

O que é uma seca?

A seca acontece quando chove muito menos do que o esperado durante vários meses.

Com pouca água entrando nos rios, seus níveis diminuem gradativamente.

Em alguns casos, lagos desaparecem temporariamente, praias de areia surgem no meio dos rios e embarcações deixam de navegar por falta de profundidade.

Alguns igarapés podem até secar completamente.

O ciclo das águas

Na Amazônia existe um calendário natural das águas.

  • Dezembro a maio: período chuvoso.
  • Junho a novembro: período menos chuvoso.

Os rios costumam atingir:

  • a maior altura entre maio e julho;
  • a menor altura entre setembro e novembro.

Esses períodos podem variar um pouco dependendo da região.

Por que as cheias estão ficando maiores?

Os cientistas apontam que as mudanças climáticas estão alterando o comportamento das chuvas.

Com o aumento da temperatura da Terra, ocorre maior evaporação da água dos oceanos.

Isso faz com que exista mais vapor d'água na atmosfera.

Quando esse vapor encontra condições favoráveis, produz chuvas muito mais intensas do que no passado.

Em vez de chover durante muitos dias de forma moderada, podem ocorrer tempestades extremamente fortes em pouco tempo.

Essas chuvas alimentam rapidamente os rios, favorecendo grandes enchentes.

A influência dos oceanos

Pode parecer estranho, mas os oceanos influenciam diretamente o clima da Amazônia.

Quando as águas do Oceano Atlântico Tropical ficam mais quentes, alteram a circulação dos ventos e modificam a distribuição das chuvas.

Dependendo dessas alterações, pode chover muito acima da média ou muito abaixo dela.

O Oceano Pacífico também exerce grande influência por meio dos fenômenos El Niño e La Niña.

El Niño

O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal.

Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera em diversas partes do planeta.

Na Amazônia, normalmente provoca:

  • redução das chuvas;
  • aumento das temperaturas;
  • secas prolongadas;
  • aumento das queimadas;
  • rios extremamente baixos.

As secas históricas de 2005, 2010, 2015, 2023 e 2024 tiveram forte influência desse fenômeno, associado também ao aquecimento do Atlântico Tropical.

La Niña

A La Niña ocorre quando as águas do Pacífico ficam mais frias que o normal.

Na Amazônia, geralmente provoca:

  • aumento das chuvas;
  • rios mais cheios;
  • maior risco de enchentes.

Nem toda La Niña produz cheias recordes, mas aumenta bastante essa possibilidade.


O papel da Floresta Amazônica

A floresta funciona como uma enorme fábrica de chuva.

Cada árvore retira água do solo pelas raízes.

Depois, essa água é liberada para o ar através das folhas, em um processo chamado evapotranspiração.

Uma árvore de grande porte pode liberar centenas de litros de água por dia na atmosfera.

Somadas, bilhões de árvores produzem uma enorme quantidade de vapor.

Esse vapor forma nuvens que provocam chuvas sobre a própria Amazônia e também em outras regiões da América do Sul.

Essas correntes de umidade são conhecidas como "rios voadores".

O que são os rios voadores?

Os rios voadores não são rios de água líquida.

São grandes massas de vapor transportadas pelos ventos.

Eles levam umidade para:

  • Centro-Oeste;
  • Sudeste;
  • Sul do Brasil;
  • Paraguai;
  • Bolívia;
  • Argentina.

Grande parte das chuvas que abastecem reservatórios e plantações dessas regiões depende da umidade produzida pela Amazônia.

Como o desmatamento interfere?

Quando a floresta é derrubada:

  • diminui a evapotranspiração;
  • reduz a formação de nuvens;
  • enfraquece os rios voadores;
  • aumenta a temperatura local;
  • o solo fica mais seco;
  • cresce o risco de incêndios florestais.

Com menos árvores produzindo umidade, o clima torna-se mais quente e irregular.

Isso pode favorecer secas mais longas e dificultar a recuperação dos rios.

Os impactos das cheias

As grandes enchentes podem provocar:

  • inundação de casas;
  • perda de plantações;
  • destruição de estradas;
  • isolamento de comunidades;
  • interrupção das aulas;
  • aumento de doenças transmitidas pela água;
  • prejuízos ao comércio.

Em algumas cidades, bairros inteiros ficam alagados durante semanas.


Os impactos das secas

Quando os rios atingem níveis muito baixos, surgem diversos problemas.

Entre eles:

  • dificuldade para transportar pessoas e mercadorias;
  • falta de alimentos em comunidades isoladas;
  • redução da pesca;
  • mortandade de peixes e botos;
  • dificuldade no abastecimento de água;
  • aumento das queimadas;
  • fumaça que prejudica a saúde da população.

Em alguns municípios, embarcações deixam de chegar por vários meses.


O futuro da Amazônia

Os cientistas afirmam que as mudanças climáticas podem tornar os eventos extremos ainda mais frequentes.

Isso significa que poderão ocorrer:

  • cheias cada vez maiores;
  • secas mais prolongadas;
  • aumento das ondas de calor;
  • mais incêndios florestais;
  • alterações na biodiversidade.

Por isso, proteger a floresta tornou-se uma das principais estratégias para reduzir os impactos dessas mudanças.


ASSIM SENDO

As cheias e as secas sempre fizeram parte da história da Amazônia. Elas são fenômenos naturais que garantem o equilíbrio dos ecossistemas e sustentam a vida de milhares de espécies.

No entanto, o aquecimento global, as alterações nos oceanos e o desmatamento estão tornando esse ciclo cada vez mais intenso. Compreender como esses processos funcionam é essencial para preservar a maior floresta tropical do mundo e garantir qualidade de vida para as populações que dependem dela.

A Amazônia é um dos maiores patrimônios naturais da humanidade. Conhecer seus rios, seu clima e seus ciclos é o primeiro passo para protegê-la e assegurar que continue desempenhando seu papel fundamental para o Brasil e para o planeta.




GRANDE CHEIA

A última grande cheia histórica de Manaus ocorreu em 2021, quando o nível do Rio Negro atingiu 30,02 metros em 16 de junho de 2021, tornando-se a maior cheia registrada desde o início das medições sistemáticas, em 1902. Esse evento superou o antigo recorde de 2012, quando o rio chegou a 29,97 metros. 

As 5 maiores cheias já registradas em Manaus são:

1. 2021: 30,02 m
2. 2012: 29,97 m
3. 2022: 29,75 m
4. 2009: 29,77 m
5. 1953: 29,69 m


GRANDE SECA

A última grande seca histórica de Manaus ocorreu em 2023.

Naquele ano, o Rio Negro atingiu a menor marca já registrada desde o início das medições, em 1902. Em 16 de outubro de 2023, o nível do rio chegou a 13,51 metros, superando o recorde anterior de 2010 (13,63 metros). Nos dias seguintes, o nível continuou baixando e atingiu cerca de 13,38 metros, consolidando a maior seca da história até então.

As 5 maiores secas registradas em Manaus são:

2023: aproximadamente 13,38 m (recorde histórico)
2010: 13,63 m
1963: 13,64 m
1906: 14,20 m
1997: 14,34 m




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