O CINE POP
VC SABIA QUE O INCÊNDIO QUE DESTRUIU O CINE POP FOI CRIMINOSO???
O Cinema Popular teve diferentes fases e localizações em Manaus, sendo historicamente reconhecido por oferecer entretenimento a preços mais acessíveis para as camadas populares, embora com menor qualidade nas sessões em comparação aos cinemas de elite.
Abaixo estão os detalhes das fases deste cinema conforme os documentos:
Primeira Fase (1920)
- Inauguração: Iniciou suas atividades em 1º de janeiro de 1920.
- Localização: Avenida Joaquim Nabuco, n. 157, no Centro.
- Proprietário: Álvaro do Rego Barros.
- Duração: Foi uma existência efêmera, deixando de ser mencionado pelos jornais ainda no mesmo ano de sua inauguração.
Segunda Fase: O Cinema Popular (1926–1972)
- Inauguração: Esta sala, a mais longeva, foi aberta em 14 de novembro de 1926 pela empresa J. Fontenelle & Cia..
- Localização: Rua Silva Ramos, n. 190, no bairro Alto de Nazaré (área que atualmente integra o Centro).
- Estreia: O primeiro filme exibido foi O Prêmio da Vitória.
- Perfil e Preços: Era frequentado pelas classes populares devido aos ingressos mais baratos. Em 1970, por exemplo, cobrava NCr$ 0,80 para adultos e NCr$ 0,40 para estudantes, enquanto cinemas de elite como o Odeon e o Avenida cobravam NCr$ 1,50.
- Como não era considerado um cinema luxuoso e oferecia pouco conforto aos espectadores, acabou recebendo vários apelidos populares. Entre eles estavam "Cine Poeira", "do Alto do Nazaré", que era o nome do bairro na época, "Quebra-Orgulho" e também "Odeon do Bairro".
- Fechamento: Encerrou suas atividades em 28 de junho de 1972, após 45 anos de funcionamento.
- Motivo: Foi interditado pela Prefeitura de Manaus e pela Secretaria de Saúde por não apresentar os requisitos mínimos indispensáveis para o atendimento ao público.
Terceira Fase: Cine Pop (1977–1979)
- Reabertura: O espaço foi reativado em 6 de janeiro de 1977, sob a administração de Luiz de Moraes, com o nome de Cine Pop.
- Estreia: O filme de abertura desta fase foi Simbad, O Marujo Trapalhão.
- Capacidade: Tinha lotação para 300 pessoas.
- Fim das atividades: A última menção ao Cine Pop nos jornais data de outubro de 1979.
SOBRE O INCÊNDIO DE 1980
Reportagem do Jornal "A Notícia" de 24 de agosto ede 1980 que relata o ocorrido.
O depósito de mercadorias da firma Importadora de Estivas Gibrail Ltda., instalado no prédio de número 1.054 da rua Silva Ramos, e onde durante três anos funcionou o "Cine Pop", foi destruído ontem, ao meio dia, por um incêndio possivelmente provocado.
Eram 12 horas. Um garoto de 15 anos, filho de d. Cléia Azevedo Batista, proprietária da casa de número 1.060, e que também esteve à mercê do fogo, viu dois homens saindo do depósito. Um deles alto, forte e bigodudo embarcou na kombi e respondeu ao aceno de um sujeito que se encontrava no interior de um "Fiat", parado do outro lado da rua.
Assim que eles saíram, ocorreu uma forte explosão. A segundos levantava labaredas com mais de cinco metros de altura. Cléia Azevedo e seus filhos levantaram da mesa do almoço, aturdidos com o barulho das sucessivas explosões.
Na rua, o alarido era medonho. Uma multidão se formou de imediato e gritava pela presença dos bombeiros antes que as chamas se propagassem com o vento e atingissem outras casas.
Com dez minutos de fogo, o que foi suficiente para consumir toda a mercadoria estocada no depósito, chegaram os bombeiros.
Atualmente (2026), no local onde funcionou o Cinema Popular na rua Silva Ramos, existe uma loja de tintas.



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