A Represa da Cachoeira Grande foi o marco inicial do sistema de abastecimento de água potável de Manaus, utilizando as águas do igarapé homônimo antes de a cidade passar a ser servida pelo Rio Negro.
Abaixo, detalho a história, construção, operação e o eventual declínio desse importante monumento da infraestrutura manauara:
Contexto e Início do Projeto
- Estudos Iniciais: Em 1882, sob a presidência de José Lustosa da Cunha Paranaguá, foram realizados estudos para o abastecimento da capital, explorando mananciais como a fonte do Mocó, a da Castelhana e os igarapés da Cachoeirinha e da Cachoeira Grande.
- Escolha do Local: O igarapé da Cachoeira Grande foi selecionado por oferecer águas abundantes e de boa qualidade, em um nível superior ao das maiores enchentes do Rio Negro. O ponto escolhido ficava cerca de 400 metros acima da queda d'água principal.
- Primeira Pedra: A cerimônia de colocação da primeira pedra da represa ocorreu em 1º de julho de 1883.
Detalhes Técnicos e Construção
- Dimensões da Represa: A obra era de alvenaria de pedra e cimento, com 104,30 metros de comprimento, espessura máxima de 3,50 metros e altura máxima de 3,80 metros.
- Sistema de Bombeamento: As águas elevadas pela represa moviam duas turbinas Fourneyrou, que acionavam bombas de duplo efeito para elevar a água a cerca de 40 metros de altura até o reservatório.
- Estruturas Auxiliares: O complexo incluía um canal de 97 metros, uma caixa de captação e casas para as máquinas e para o maquinista.
Operação e Abastecimento
- Inauguração: O serviço foi inaugurado oficialmente em 8 de dezembro de 1888.
- Capacidade Inicial: No início, apenas uma bomba funcionava, elevando entre 800 e 900 mil litros de água por dia, distribuídos pela cidade através de 33 bicas (chafarizes).
- Integração com o Reservatório do Mocó: Em 1896, no governo de Eduardo Ribeiro, a represa foi ligada ao novo e suntuoso Reservatório do Mocó para melhorar a distribuição.
Gestão e Transição para o Rio Negro
- Empresas Concessionárias: A exploração passou por diversas mãos, incluindo a Manáos Railway Company (1898) e a companhia inglesa Manáos Improvements Limited (1904).
- Crise e Mudança: O sistema da Cachoeira Grande tornou-se insuficiente com o rápido crescimento da cidade. Além disso, a Manáos Improvements enfrentou forte resistência popular devido a taxas altas e cortes no fornecimento.
- Ponta do Ismael: Em 24 de dezembro de 1908, foi inaugurado o novo sistema de bombeamento na Ponta do Ismael, passando a abastecer Manaus com água do Rio Negro, considerada de melhor qualidade e mais abundante.
Declínio e Destruição
- Criação do Bosque: A área ao redor da represa, entre o manancial e a estrada Epaminondas (atual Constantino Nery), foi transformada no Bosque Municipal da Cachoeira Grande em 1898, entregue à administração municipal em 1904.
- Fim da Cachoeira: Na década de 1950, durante a gestão de Plínio Coelho, a famosa cachoeira (conhecida como Bacia de Prata) foi destruída para a construção de uma barragem destinada à extração de rochas.
- Legado: Hoje, restam apenas lembranças e ruínas do antigo reservatório na área atrás da atual concessionária da Peugeot, no bairro de São Jorge. O nome da localidade permanece vivo no Igarapé da Cachoeira Grande (também chamado de igarapé do São Raimundo) e na história da expansão urbana de Manaus.
FONTE DE PESQUISA
UM HISTORIADOR ALGUNS FATOS INÉDITOS E MUITAS HISTÓRIAS, DE DURANGO DUARTE
IMAGEM
Álbum Vistas de Manaus. Foto: George Huebner. 1890
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